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11 de maio: Dia da Canonização de Frei Galvão

 

11 de maio • Dia da Canonização de Frei GalvãoN

No dia 11 de maio de 2008, o Papa Bento XVI elevava aos altares o primeiro santo nascido no Brasil, o religioso franciscano Antônio de Sant’Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão. Frei Galvão ficou conhecido pelas “pílulas” que distribuía aos doentes.

Sua canonização se deu por ocasião da visita do Santo Padre ao Brasil para inaugurar a V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Aparecida. A canonização foi realizada no Campo de Marte, zona norte da capital paulista.

Alegria e ardente devoção marcaram a missa que colocou no livro dos santos o nome do frade que viveu no Brasil entre os séculos XVIII e XIX. A imagem mais conhecida do religioso em hábito franciscano estava estampada no altar.

Frei Galvão passava a ser Santo Antônio de Sant’ana Galvão. Ele recebeu o nome do seu pai ao nascer e era o quarto de dez filhos. Sua mãe, Isabel, era descendente de bandeirantes. Quando criança estudou no colégio dos jesuítas na Bahia, mas seguindo o conselho do seu pai ingressou na Ordem dos Franciscanos, acrescentando ao seu nome de batismo o nome de Sant’Ana, a mãe da Virgem Maria.

A festa litúrgica do primeiro santo nascido no país foi confirmada para 25 de outubro, em homenagem à beatificação, feita em 1998 por João Paulo II. Na mais elevada “honra dos altares” Santo Antônio de Sant’Ana Galvão pode ser venerado no mundo inteiro. O papa estabeleceu o novo “status religioso” ao ler a fórmula de canonização:

“Em honra da Santíssima Trindade, para exaltação da fé católica e o crescimento da vida cristã, pela autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos apóstolos Pedro e Paulo e nossa, depois de refletido longamente, invocado o auxílio divino muitas vezes, ouvido o parecer de muito dos nossos irmãos no episcopado, declaramos e definimos como Santo o beato Antônio de Sant’Ana Galvão, e o inscrevemos na lista dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja, ele seja devotamente honrado entre os santos. Em nome do Pai do Filho e do Espírito Santo”, proclamou o pontífice diante de mais de um milhão de brasileiros que se alegraram por contar com um conterrâneo seu entre os santos da Igreja.

Nascido em 1739, Frei Galvão morreu em 1822, aos 83 anos, no mosteiro que edificou, em São Paulo, onde viveu por seis décadas.

“Os católicos paulistanos e o povo brasileiro sentem-se hoje muitos felizes e agradecidos porque Vossa Santidade acolheu favoravelmente o pedido do episcopado brasileiro, em particular da Arquidiocese de São Paulo, de canonizar aqui mesmo o beato Frei Galvão”, disse o Arcebispo Dom Odilo Scherer na celebração a céu aberto com o Santo Padre. As canonizações ocorrem no vaticano, mas o Papa decidiu realizar a cerimônia no Brasil como homenagem aos católicos do país.

Abaixo, a Oração a Frei Galvão extraída do site do mosteiro da Luz (http://saofreigalvao.com.br/oracaosaofreigalvao.html):

“Deus, Pai de misericórdia,
que fizestes do Santo Antônio de Sant´Anna Galvão
um instrumento de caridade e de paz de Cristo,
concedei-nos, por sua intercessão, favorecer sempre a verdadeira concórdia.

Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Amém!”

SANTA MISSA E CANONIZAÇÃO

DE FREI ANTÔNIO DE SANT’ANNA GALVÃO, OFM

HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI

Aeroporto “Campo de Marte”, São Paulo

Senhores Cardeais
Senhor Arcebispo de São Paulo
e Bispos do Brasil e da América Latina
Distintas autoridades
Irmãs e Irmãos em Cristo,

«Bendirei continuamente ao Senhor / seu louvor não deixará meus lábios» [Sl 33,2]

1. Alegremos-nos no Senhor, neste dia em que contemplamos outra das maravilhas de Deus que, por sua admirável providência, nos permite saborear um vestígio da sua presença, neste ato de entrega de Amor representado no Santo Sacrifício do Altar.

Sim, não deixemos de louvar ao nosso Deus. Louvemos todos nós, povos do Brasil e da América, cantemos ao Senhor as suas maravilhas, porque fez em nós grandes coisas. Hoje, a Divina sabedoria permite que nos encontremos ao redor do seu altar em ato de louvor e de agradecimento por nos ter concedido a graça da Canonização do Frei Antônio de Sant’Ana Galvão.

Quero agradecer as carinhosas palavras do Arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, que foi a voz de todos vós, e a atenção do seu predecessor, o Cardeal Cláudio Hummes, que com tanto esmero empenhou-se pela causa do Frei Galvão. Agradeço a presença de cada um e de cada uma, quer sejam moradores desta grande cidade ou vindos de outras cidades e nações. Alegro-me que através dos meios de comunicação, minhas palavras e as expressões do meu afeto possam entrar em cada casa e em cada coração. Tenham certeza: o Papa vos ama, e vos ama porque Jesus Cristo vos ama.

Nesta solene celebração eucarística foi proclamado o Evangelho no qual Cristo, em atitude de grande enlevo, proclama: «Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos» (Mt 11,25). Por isso, sinto-me feliz porque a elevação do Frei Galvão aos altares ficará para sempre emoldurada na liturgia que hoje a Igreja nos oferece.

Saúdo com afeto, a toda a comunidade franciscana e, de modo especial as monjas concepcionistas que, do Mosteiro da Luz, da Capital paulista, irradiam a espiritualidade e o carisma do primeiro brasileiro elevado à glória dos altares.

2. Demos graças a Deus pelos contínuos benefícios alcançados pelo poderoso influxo evangelizador que o Espírito Santo imprimiu em tantas almas através do Frei Galvão. O carisma franciscano, evangelicamente vivido, produziu frutos significativos através do seu testemunho de fervoroso adorador da Eucaristia, de prudente e sábio orientador das almas que o procuravam e de grande devoto da Imaculada Conceição de Maria, de quem ele se considerava ‘filho e perpétuo escravo’.

Deus vem ao nosso encontro, “procura conquistar-nos – até à Última Ceia, até ao Coração trespassado na cruz, até as aparições e as grandes obras pelas quais Ele, através da ação dos Apóstolos, guiou o caminho da Igreja nascente” (Carta encl. Deus caritas est, 17). Ele se revela através da sua Palavra, nos Sacramentos, especialmente da Eucaristia. Por isso, a vida da Igreja é essencialmente eucarística. O Senhor, na sua amorosa providência deixou-nos um sinal visível da sua presença.

Quando contemplarmos na Santa Missa o Senhor, levantado no alto pelo sacerdote, depois da Consagração do pão e do vinho, ou o adorarmos com devoção exposto no Ostensório renovemos com profunda humildade nossa fé, como fazia Frei Galvão em “laus perennis”, em atitude constante de adoração. Na Sagrada Eucaristia está contido todo o bem espiritual da Igreja, ou seja, o mesmo Cristo, nossa Páscoa, o Pão vivo que desceu do Céu vivificado pelo Espírito Santo e vivificante porque dá Vida aos homens. Esta misteriosa e inefável manifestação do amor de Deus pela humanidade ocupa um lugar privilegiado no coração dos cristãos. Eles devem poder conhecer a fé da Igreja, através dos seus ministros ordenados, pela exemplaridade com que estes cumprem os ritos prescritos que estão sempre a indicar na liturgia eucarística o cerne de toda obra de evangelização. Por sua vez, os fiéis devem procurar receber e reverenciar o Santíssimo Sacramento com piedade e devoção, querendo acolher ao Senhor Jesus com fé e sempre, quando necessário, sabendo recorrer ao Sacramento da reconciliação para purificar a alma de todo pecado grave.

3. Significativo é o exemplo do Frei Galvão pela sua disponibilidade para servir o povo sempre quando era solicitado. Conselheiro de fama, pacificador das almas e das famílias, dispensador da caridade especialmente dos pobres e dos enfermos. Muito procurado para as confissões, pois era zeloso, sábio e prudente. Uma característica de quem ama de verdade é não querer que o Amado seja ofendido, por isso a conversão dos pecadores era a grande paixão do nosso Santo. A Irmã Helena Maria, que foi a primeira “recolhida” destinada a dar início ao “Recolhimento de Nossa Senhora da Conceição”, testemunhou aquilo que Frei Galvão disse: “Rezai para que Deus Nosso Senhor levante os pecadores com o seu potente braço do abismo miserável das culpas em que se encontram”. Possa essa delicada advertência servir-nos de estímulo para reconhecer na misericórdia divina o caminho para a reconciliação com Deus e com o próximo e para a paz das nossas consciências.

4. Unidos em comunhão suprema com o Senhor na Eucaristia e reconciliados com Deus e com o nosso próximo, seremos portadores daquela paz que o mundo não pode dar. Poderão os homens e as mulheres deste mundo encontrar a paz se não se conscientizarem acerca da necessidade de se reconciliarem com Deus, com o próximo e consigo mesmos? De elevado significado foi, neste sentido, aquilo que a Câmara do Senado de São Paulo escreveu ao Ministro Provincial dos Franciscanos no final do século XVIII, definindo Frei Galvão como “homem de paz e de caridade”. Que nos pede o Senhor?: «Amai-vos uns aos outros como eu vos amo». Mas logo a seguir acrescenta: que «deis fruto e o vosso fruto permaneça» (cf. Jo 15, 12.16). E que fruto nos pede Ele, senão que saibamos amar, inspirando-nos no exemplo do Santo de Guaratinguetá?

A fama da sua imensa caridade não tinha limites. Pessoas de toda a geografia nacional iam ver Frei Galvão que a todos acolhia paternalmente. Eram pobres, doentes no corpo e no espírito que lhe imploravam ajuda.

Jesus abre o seu coração e nos revela o fulcro de toda a sua mensagem redentora: «Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos» (ib.v.13). Ele mesmo amou até entregar sua vida por nós sobre a Cruz. Também a ação da Igreja e dos cristãos na sociedade deve possuir esta mesma inspiração. As pastorais sociais se forem orientadas para o bem dos pobres e dos enfermos, levam em si mesmas este sigilo divino. O Senhor conta conosco e nos chama amigos, pois só aos que se ama desta maneira, se é capaz de dar a vida proporcionada por Jesus com sua graça.

Como sabemos a V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano terá como tema básico: “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que nele nossos povos tenham vida”. Como não ver então a necessidade de acudir com renovado ardor à chamada, a fim de responder generosamente aos desafios que a Igreja no Brasil e na América Latina está chamada a enfrentar?

5. «Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei», diz o Senhor no Evangelho, (Mt 11,28). Esta é a recomendação final que o Senhor nos dirige. Como não ver aqui este sentimento paterno e, ao mesmo tempo materno, de Deus por todos os seus filhos? Maria, a Mãe de Deus e Mãe nossa, se encontra particularmente ligada a nós neste momento. Frei Galvão, assumiu com voz profética a verdade da Imaculada Conceição. Ela, a Tota Pulchra, a Virgem Puríssima, que concebeu em seu seio o Redentor dos homens e foi preservada de toda mancha original, quer ser o sigilo definitivo do nosso encontro com Deus, nosso Salvador. Não há fruto da graça na história da salvação que não tenha como instrumento necessário a mediação de Nossa Senhora.

De fato, este nosso Santo entregou-se de modo irrevocável à Mãe de Jesus desde a sua juventude, querendo pertencer-lhe para sempre e escolhendo a Virgem Maria como Mãe e Protetora das suas filhas espirituais.

Queridos amigos e amigas, que belo exemplo a seguir deixou-nos Frei Galvão! Como soam atuais para nós, que vivemos numa época tão cheia de hedonismo, as palavras que aparecem na Cédula de consagração da sua castidade: “tirai-me antes a vida que ofender o vosso bendito Filho, meu Senhor”. São palavras fortes, de uma alma apaixonada, que deveriam fazer parte da vida normal de cada cristão, seja ele consagrado ou não, e que despertam desejos de fidelidade a Deus dentro ou fora do matrimônio. O mundo precisa de vidas limpas, de almas claras, de inteligências simples que rejeitem ser consideradas criaturas objeto de prazer. É preciso dizer não àqueles meios de comunicação social que ridicularizam a santidade do matrimônio e a virgindade antes do casamento.

É neste momento que teremos em Nossa Senhora a melhor defesa contra os males que afligem a vida moderna; a devoção mariana é garantia certa de proteção maternal e de amparo na hora da tentação. Não será esta misteriosa presença da Virgem Puríssima, quando invocarmos proteção e auxílio à Senhora Aparecida? Vamos depositar em suas mãos santíssimas a vida dos sacerdotes e leigos consagrados, dos seminaristas e de todos os vocacionados para a vida religiosa.

6. Queridos amigos, deixai-me concluir evocando a Vigília de Oração de Marienfeld na Alemanha: diante de uma multidão de jovens, quis definir os santos da nossa época como verdadeiros reformadores. E acrescentava: “só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo” (Homilia, 20/08/2005). Este é o convite que faço hoje a todos vós, do primeiro ao último, nesta imensa Eucaristia. Deus disse: «Sede santos, como Eu sou santo» (Lv 11,44). Agradeçamos a Deus Pai, a Deus Filho, a Deus Espírito Santo, dos quais nos vêm, por intercessão da Virgem Maria, todas as bênçãos do céu; este dom que, juntamente com a fé é a maior graça que o Senhor pode conceder a uma criatura: o firme anseio de alcançar a plenitude da caridade, na convicção de que não só é possível, como também necessária a santidade, cada qual no seu estado de vida, para revelar ao mundo o verdadeiro rosto de Cristo, nosso amigo! Amém!

http://paixaoporcristo.zip.net

ACI Digital

Este post foi publicado em 11/05/2014 às 3:15 AM. Ele está arquivado em Sem categoria e marcado . Guarde o link permanente. Seguir quaisquer comentários aqui com o feed RSS para este post.
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